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Marketing Eleitoral e Comportamento do Eleitor

Entenda como conceitos do marketing tradicional e da psicologia política explicam o comportamento do eleitor. Descubra o papel das emoções, da racionalidade e das estratégias de microtargeting na conquista de votos.

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Marketing Eleitoral e Comportamento do Eleitor

O voto é, em essência, uma decisão de consumo. Quando um eleitor escolhe um candidato, ele está tomando uma decisão muito semelhante à que faz ao selecionar um produto ou serviço. Essa relação entre política e mercado é estudada há décadas e consolidou o conceito de marketing eleitoral: a aplicação das estratégias do marketing tradicional para conquistar votos e construir lideranças políticas.

Estudos de referência, como os de Philip Kotler, considerado o pai do marketing, e as pesquisas de Daniel Kahneman sobre economia comportamental, mostram que as decisões humanas nem sempre seguem a lógica racional. No contexto eleitoral, isso significa que a comunicação de uma campanha precisa ir além de propostas técnicas e tocar naquilo que realmente influencia o comportamento: emoções, valores e percepções individuais.

Como o marketing político aplica conceitos do marketing tradicional

Assim como no mercado corporativo, a política depende de posicionamento de marca, diferenciação e estratégias de persuasão. O candidato é a “marca”, e sua campanha precisa comunicar atributos que o tornem reconhecível, confiável e relevante para o público.

  • Produto: propostas, imagem e reputação do candidato.

  • Preço: não em termos financeiros, mas em custos simbólicos, como confiança e expectativas.

  • Praça: os canais de comunicação — hoje, principalmente redes sociais.

  • Promoção: discursos, propaganda, debates e ações de engajamento.

Essa lógica mercadológica reforça que o eleitor, assim como o consumidor, responde a estímulos emocionais e simbólicos tanto quanto a argumentos racionais.

Emoções vs. racionalidade na decisão do voto

Pesquisas em psicologia política indicam que, embora os eleitores afirmem escolher racionalmente, na prática as emoções desempenham papel dominante. De acordo com Daniel Kahneman, nosso cérebro funciona em dois sistemas:

  • Sistema 1 (rápido e intuitivo): responsável pelas decisões emocionais e automáticas.

  • Sistema 2 (lento e racional): mais analítico, mas também mais raro nas escolhas do dia a dia.

Campanhas eleitorais eficazes sabem equilibrar esses dois sistemas. Elas apresentam dados e propostas, mas estruturam sua narrativa em torno de sentimentos como esperança, confiança e pertencimento.

Microtargeting e personalização da mensagem

Com os avanços da tecnologia, o marketing eleitoral passou a contar com ferramentas de big data e microtargeting. Isso significa segmentar o eleitorado em grupos menores e direcionar mensagens específicas para cada perfil.

Por exemplo:

  • Jovens podem receber conteúdos voltados para educação e oportunidades de emprego.

  • Empresários podem ser impactados com propostas sobre economia e incentivos fiscais.

  • Comunidades locais podem receber mensagens personalizadas com foco em segurança, saúde ou infraestrutura.

Essa personalização aumenta a eficácia da comunicação e cria a sensação de que o candidato fala diretamente com cada eleitor.

Curiosidade científica

Pesquisas mostram que duas emoções se destacam como mais eficazes em campanhas eleitorais: medo e esperança. O medo mobiliza ao alertar sobre riscos futuros caso determinada escolha não seja feita, enquanto a esperança inspira confiança em um futuro melhor. Curiosamente, essas emoções são mais determinantes no voto do que dados técnicos ou propostas complexas.

Conclusão

O marketing eleitoral é, acima de tudo, o estudo do comportamento humano aplicado à política. Ele revela que conquistar votos não se resume a apresentar propostas, mas a compreender como as pessoas decidem, o que as emociona e de que forma elas se identificam com uma liderança.

No fim, o eleitor não escolhe apenas um candidato: ele escolhe a narrativa que mais faz sentido para sua vida, seus valores e suas expectativas. E é exatamente aí que o marketing eleitoral encontra sua força.

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